sábado, 6 de outubro de 2007

Me veja

Asisiti no Cine Clube da UENF em uma data distante. Mas o frisson filosófico perdura.
Encontrei um amigo louco que digitou da legenda este trecho fabuloso (não! ele não fez isso... ahahhaaaa)!
Deleitem-se!

“---Desculpe.---Desculpe.---Podemos começar de novo? Sei que não nos conhecemos... Mas eu não quero ser uma formiga. Passamos pela vida esbarrando uns nos outros sempre no piloto automático, como formigas, não sendo solicitados a fazer nada de verdadeiramente humanos. Pare. Siga. Ande aqui. Dirija ali. Ações voltadas apenas à sobrevivência. Toda comunicação servindo para manter ativa a colônia de formigas de um modo eficiente e civilizado. ‘O seu troco.’ ‘Papel ou plástico?’ ‘Crédito ou débito?’ ‘Aceita Ketchup?’ Não quero um canudo. Quero momentos humanos verdadeiros. Quero ver você. Quero que você me veja. Não quero abrir mão disso. Não quero ser uma formiga, entende?---Sim, não... Eu também não quero ser uma formiga. Obrigado pela sacudida. Tenho andado feito um zumbi... No piloto automático. Não me sinto como uma formiga, mas pareço uma. D. H. Lawrence teve a idéia de duas pessoas se encontrarem e, ao invés de apenas passarem aceitarem o confronto entre ‘suas almas’. È como libertar os deuses corajosos e inconseqüentes que nos habitam.---Parece que já nos encontramos. Estou trabalhando em um projeto. Pode lhe interessar. É uma novela e os personagens são a fantasia de seus atores. Então, pense em algo que sempre quis fazer, a vida que gostaria de ter ou algo do gênero. Colocamos isso no roteiro aí você interage com outras pessoas como se faria em uma novela. Eu também gostaria de exibir isso ao vivo, com os atores presentes. Aí, uma vez que o episódio tenha sido exibido a platéia pode dirigir os atores em episódios subseqüentes, com cardápios. Trata-se de escolhas e de se louvar a capacidade das pessoas de dizerem o que querem ver, e o consumismo, a arte, e valores e se você não gostar, devolva e receba seu dinheiro de volta... Ou apenas participar, entende? Fazer escolhas. E então, você quer fazer?---Sim, parece muito legal. Eu adoraria participar, mas preciso lhe perguntar algo primeiro. Não sei bem como dizer, mas... Como é ser um personagem em um sonho? Porque não estou acordado agora. Eu não uso relógio desde a 4º série. Acho que era esse mesmo relógio. Não sei se você é capaz de responder essa pergunta. Estou apenas tentando entender onde estou e o que está havendo.---E quanto a você? Como se chama? Qual é o seu endereço? O que você está fazendo?---Não me lembro disso agora. Não consigo me lembrar. Mas essa não é a questão, se posso resgatar informação sobre meu endereço ou o nome de solteira da minha mãe, o que seja. Tenho a vantagem, nesta realidade, se posso chamar assim, de uma perspectiva consistente.---Que perspectiva é essa?---Basicamente, sou só eu, lidando com várias pessoas que estão me expondo as informações e idéias que soam vagamente familiares. Mas, ao mesmo tempo, é tudo muito estranho para mim. Não estou em um mundo objetivo e racional. Por exemplo, que tenho voado... É estranho, porque não é um estado fixo. Parece mais com um amplo espectro de consciência. A lucidez oscila. Neste momento, sei que estou sonhando. Estamos até conversando sobre isso. Estou o mais em contato comigo e com os meus pensamentos que já estive até agora. Estou conversando sobre estar em um sonho. Mas, começo a achar que isto é algo para o qual não tenho quaisquer precedentes. É totalmente singular. A qualidade do ambiente e a informação que estou recebendo. Como a sua novela, por exemplo. Essa idéia é muito bacana! Não fui eu quem inventou isso. Está fora de mim, como algo transmitido a mim externamente. Eu não sei o que é isto.---Achamos que somos tão limitados pelo mundo e suas restrições, mas na verdade nós a criamos. Fica-se tentando entender, mas agora que você sabe que esta sonhando, você pode fazer qualquer coisa. Você está sonhando, mas está acordado. Você tem tantas opções. E a vida é isso.---Estou entendendo o que você diz. Depende de mim, eu sou o sonhador. É estranho. Tanto dessas informações que as pessoas têm me passado tem uma conotação tão pesada.---Bem como você se sente?---Às vezes me sinto meio isolado. Quase sempre, sinto-me comprometido, engajado em um processo ativo. O que é estranho. Quase todo tempo estive passivo, sem responder, exceto agora. Me deixei ser lavado pela informação.---Não responder verbalmente, não é, necessariamente ser passivo. Estamos nos comunicando em tantos níveis simultaneamente. Talvez você esteja percebendo diretamente.---Quase todas as pessoas que encontrei e as coisas que quero dizer é como se elas a dissessem por mim, quase na minha deixa. É completo em si mesmo. Na é um sonho ruim. É um sonho ótimo. Mas, é tão diferente de qualquer outro sonho que eu já tive. É como se fosse ‘o’ sonho. Como se estivesse sendo preparado para alguma coisa.”

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