quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O Amor

A fidelidade é, paradoxalemente, ato da suprema liberdade, afirmação da duração do sentimento contra a volubilidade do desejo, da singularidade do outro contra a lei mercantil da substitubilidade e da perecibilidade.
O amor é um mistério abissal. Ao ler "Amor" de José Luiz Furtado, me espantei. Muito longe dos livros comerciais de auto-ajuda e suas fórmulas prontas, me conduziu a um novo olhar sobre o amor. Esse mistério que nos leva a eleger um entre seis bilhões de seres humanos. Enquanto Furtado fala do amor como a "experiência da separação dos seres no encontro dos corpos" e sentir o corpo inteiro ativando um labirinto de desejos, o felizes para sempre e a imagem comercial da plena felicidade tem reduzido o amor ao sexo eficaz ou ao casamento bem-sucedido. Como se não houvesse outras dimensões do amor além da construção de um "lar" e do orgasmo. É vendida a maldita idéia da efetivação da fusão das almas (ter o outro em sua plenitude, o elixir da felicidade), através de uma família ou do sexo, o que é totalmente impossível enquanto há a subjetividade. Aliás, a subjetividade é totalmente deixada de lado nas mentes aprisionadas pelo senso comum, onde todos são reduzidos a meros consumidores e o outro é tão descartável e substituível quanto um copo de plástico.
A infelicidade é condenada, enquanto sabemos por experiência própria que não há meios de viver sempre sem dor, grande agente da conscientização e da renovação. Classificam o sujeito em feliz ou infeliz, como se não houvesse entre a felicidade e a infelicidade uma infinidade de nuances e caminhos existenciais. A natural dor advinda do desejo e a eterna dúvida sobre o amor do outro é classificada como neurose ou patologia. O amor jamais poderia ter sido reduzido a esse modelo de satisfação (como uma mercadoria, conveniente ou não), assim como nunca foi nem jamais será ausência de adversidades. Não é redutível aos "modelos da guerra - da conquista e da submissão - ou da desesperada fusão".
Se manifesta por meio do inalcançável desejo de comunhão. E segundo Furtado, "O desejo não é falta suscetível de ser preenchida... é vazio que projeta o espaço possível para que o outro possa manter-se próximo a mim, em sua alteridade."
Fabuloso!

2 comentários:

Anônimo disse...

Belíssimo, deveria ser + divulgado(seu blog, no caso)

Anônimo disse...

a menina do beijo de borboleta sou eu?