segunda-feira, 10 de junho de 2019

8 de fevereiro de 2019 - 1001 noites de amor



Foram 1001 noites entre 16 de maio de 2016 (nascimento do meu filho) e 08 de fevereiro de 2019.
Em nenhuma dessas noites eu estive longe dele na hora de dormir. Em nenhuma dessas noites eu descansei mais do que 6 horas seguidas. Na verdade passei cerca de 2 anos sem dormir mais do que três horas seguidas. O pai fez o impossível para chegar junto. Mas meu filho só quer saber de dormir comigo. Chega até a expulsá-lo do quarto. Aceitei a função pesada e exaustiva de ninadeira exclusiva.
1001 noites é um marco. Não por causa da história clássica, mas por causa da música do Pepeu Gomes, que escolhi como mantra de esperar o sono do pequeno humano. Eu cantarolo (ou repito mentalmente): "Só quero você e mais nada. Só quero você e mais nada"…
Um paradoxo imenso, pois querer estar com meu filho e "mais nada" é um desafio. Abrir mão de um universo de distrações tecnológicas. Da vontade de fazer xixi, de comer, beber água, dormir, gritar e surtar. Para apenas estar ali esperando que ele adormeça. O que pode acontecer entre 5 e 90 minutos. 
E eu visualizei tantas vezes essa noite 1001. Eu imaginava que já teria reconquistado oito horas de sono seguidas. Porém a realidade é um cadinho diferente: o pequeno está com dor de barriga e tem dormido bem mal. Essa noite eu acordei às três da manhã e não dormi mais. Isso que dá criar expectativas: é frustração garantida!
Aceitei e vivi tudo isso. Todos os últimos 1001 dias.
Mas confesso que bem lá no fundo, gostaria que essa "vida humana" me concedesse uma noite completa de sono.
Eu até caí na ilusão de ler sobre "treinamento de sono" de bebês, já me consultei com "especialistas" e até paguei 600 reais na consulta de um pediatra badalado da internet. Nada resolveu.
A verdade é que todo esse processo fez cair a grande ficha de que não existe fórmula pronta pra nada na vida. Nada. A gente gosta de acreditar que tem, que é só seguir o passo-a-passo de alguém que vai dar tudo certo. E só vivendo para perceber que certas coisas não mudam na velocidade que gostaríamos.

E só o mantra do Pepeu e todo seu paradoxo pra suportar tão pouco sono e tão puro amor.

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